Demissões por justa causa crescem no Brasil e acendem alerta para trabalhadores da segurança privada
O número de demissões por justa causa no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica e acende um sinal de alerta para diversas categorias profissionais, entre elas os trabalhadores da segurança privada.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 638,7 mil trabalhadores foram desligados por justa causa em 2025, o maior número desde 2004. Na comparação com 2019, período anterior à pandemia, o crescimento chega a quase 200%.
A justa causa representou 2,6% de todos os contratos encerrados no país em 2025, o maior percentual já registrado.
Segurança privada também aparece entre os setores com maior índice
Alguns setores apresentam índices ainda mais elevados desse tipo de desligamento. Em hipermercados, por exemplo, a justa causa representou 10,7% das demissões em dezembro de 2025. Em frigoríficos de abate de aves, o percentual foi de 9,6%, enquanto call centers registraram 9%.
Na segurança privada, categoria que emprega milhares de trabalhadores em todo o país, os vigilantes aparecem com índice de 5,6% de demissões por justa causa, número que também chama a atenção e reforça a necessidade de orientação e informação aos profissionais do setor.
Vigilantes precisam redobrar atenção às normas
A demissão por justa causa é considerada a penalidade mais severa prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ocorre quando o trabalhador comete uma falta grave.
Entre os motivos que podem levar à aplicação da medida estão:
- abandono de posto de trabalho
- faltas injustificadas e atrasos frequentes
- indisciplina ou descumprimento de normas da empresa
- comportamento inadequado no ambiente de trabalho
- desrespeito a superiores ou colegas
No caso dos vigilantes, a responsabilidade é ainda maior, pois a função envolve proteção patrimonial, controle de acesso e segurança de pessoas, exigindo postura profissional, atenção constante e cumprimento rigoroso dos procedimentos.
Direitos que o trabalhador perde
Quando ocorre a demissão por justa causa, o trabalhador perde diversos direitos, entre eles:
- saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
- multa de 40% sobre o FGTS
- seguro-desemprego
- pagamento de 13º salário proporcional
- férias proporcionais
Contrasp orienta vigilantes a conhecerem seus direitos
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes e Prestadores de Serviços (Contrasp) destaca que a justa causa precisa ser devidamente comprovada pela empresa, e que muitos casos acabam sendo questionados na Justiça do Trabalho quando há abuso ou ausência de provas.
Por isso, a entidade reforça a importância de os vigilantes conhecerem seus direitos, manterem uma conduta profissional adequada e procurarem o sindicato sempre que houver dúvidas ou situações de conflito no ambiente de trabalho.
Diante do aumento das demissões nessa modalidade no país, a informação e a orientação são ferramentas fundamentais para proteger os trabalhadores da segurança privada.
